segunda-feira, 17 de junho de 2013

Indígenas: violência e exclusão ou a Palestina brasileira.

Indígenas: a Palestina brasileira.
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1382272&tit=&tit=Indefinio-acirra-conflito-indgena-no-Oeste-do-Paran

Um comentário:

  1. No protesto em Curitiba: primeiro por acaso, depois pelo coração e pela esperança em um amanhã melhor para todos!

    Participei do protesto por acidente, saindo de uma reunião sobre direitos humanos. No começo, estranhei e temi a instrumentalização do grupo contra o governo federal. Na sequência, as coisas ficaram mais claras e menos temerárias. Criticou-se o governo federal, estadual e municipal. Ao que senti, trata-se de um longo acúmulo no Brasil de uma má gestão pública e de uma injustiça social constante, nos mais diferentes níveis, somada a uma descrença total na nossa democracia representativa. Não houve uma manifestação, mas milhares de manifestações dentro de uma só. Dados que chegaram de dentro do movimento falavam em mais de 20.000 pessoas em Curitiba, esmagadoramente jovens de diferentes classes sociais levantando diversas bandeiras: desde o apoio à diversidade e o antifascismo até o socialismo e a democracia participativa. Os protestos eram, basicamente, contra os serviços públicos de má qualidade, a corrupção e a má gestão dos recursos públicos, cuja bandeira que parece sintetizar tudo foi: "copa do mundo não, mais dinheiro para saúde e educação!" (quem tem argumentos para contrariar esse brado retumbante e justo?). Enquanto a presidenta fala em pátrias de chuteira, parece que o povo vai às ruas clamar uma pátria com educação e saúde para todos!
    O movimento pode ser dividido em dois momentos e dois grupos. Os organizadores, mais moderados, porém sem um projeto político claro além da contestação, que dominaram a primeira etapa eminentemente pacífica. O segundo momento, na parte mais avançada da noite e quando os primeiros se retiraram, dominado por aqueles mais aguerridos e com uma proposta: se não a tomada do poder, pelo menos a invasão do Palácio Iguaçu como ato simbólico ou mesmo prático-efetivo. Porém, para tal, faltou organização e planejamento prévio. A sanha de tomar o poder foi espontânea e surgida do calor do movimento, quando se olhava para trás e não se via o final. Parecia que o poder pertencia realmente ao povo, como todos gritavam: “povo unido, jamais será vencido”. Porém, para não ser vencido há que propor algo.
    Nesse momento final, já no Palácio Iguaçu, esses setores mais radicalizados optaram por tentar invadir a sede do governo, resultando em confronto com a polícia. Aí vai minha única crítica ao movimento: a falta de objetividade política no que cabe à fase pós-contestação do poder. Aqueles que optaram por tentar tomar o palácio, não o fizeram com um projeto definido ou mesmo um plano, e sim no espontaneismo e na paixão típica das massas. Condenou-se a tudo e a todos, porém nada foi apresentado como solução, ou quase nada para ser mais justo com a meia dúzia de cidadãos mais propositivos. Ou se contesta o poder como fim em si, demonstrar a insatisfação, ou opta-se por tentar tomar o poder. Agora, pichar o Palácio e atear fogo em seu piso não é revolução, mas comportamento de massa irracional e despropositado. Tomada do Congresso e ameaça às sedes legislativas estaduais no São Paulo e Rio de Janeiro indicam as possibilidades do movimento, cujo futuro talvez esteja pendente na corda bamba, entre de um lado um estado de sítio e de outro o esvaziamento, dado a falta de propostas. Maio de 1968 na França! Fomos contra tudo e todos, mas na hora de tomar o poder, coube à extrema-direita. Junho de 2013, no Brasil! Centenas de milhares, ou talvez milhões, de jovens na rua protestando contra o sistema representativo e suas mazelas. Será que a mesma crítica ao poder estabelecido terminará como um fim em si, sem trazer mudanças reais em um mundo que só conhece a barbárie e a opressão da maioria por uma minoria? Depende de cada jovem que está e estará nas ruas traçar um projeto mais definido de poder e canalizar a massa para ele. Marchar contra a corrupção é interessante, porém catastrófica acaso venha um novo estado de exceção.

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